Tenho a vida presa no
estendal à espera que seque.
(mas está a chover desde
que nasci)
Gasto os dias de inverno
na tua mão macia
do cotovelo ao sovaco
passo na floresta
Abro a porta
Buracos negros
Cicatrizes
Linhas rectas e curvas
Novelos de arame farpado
escondem maciços
de ferro forjado.
Manchas negras na pele
Intransponíveis
Não são borrões
Não são imperfeições
São ocasiões.
Não há miragens.
Nem ilusões.
Há galáxias e corações.
Quem sou eu
Estrela a brilhar
Na podridão
Não tenho certezas
Quando se ama as certezas
caem
Nada mais importa
Não sabes como fazer
Como atuar
O que é certo e errado
Experimentam-se teorias
Analisa-se cada palavra
Como um dogma
Para logo a seguir
esquecer
E voltar a pôr no novelo
Como duvida aberta
O meter na cabeça que
tenho
Tenho que ser assim
Tenho medo
E se não for assim
Como tenho que ser
Qual a proximidade ideal.
O que é o perto e o que é o longe e qual o tempo antes de estragar?
Por uns segundos ou o
resto da vida. Quem tem as respostas do destino?
Será que se as escrever
viram verdades absolutas.
Sou indisciplinada. Salto
de um tema para o outro que tento pôr ordem perco-me no labirinto das ideias
desconectadas
escrevo assim. Coisas
pessoais para já. Estou em cada palavra.
Em cada frase está
contido o meu medo de pensar e viver.
Escrevo sobre o agora, é vazio demais.
As palavras são muito
importantes não para quem as escreve, pois ficam vazias. Mas para quem as lê.
Ressoam qualquer memória uma emoção.
escrevo em continuo não
quero mais parar vou continuar até os dentes me caírem já não tenho necessidade
de comer nem de beber a partir de agora vou escrever em continuo tenho uma
caneta de tinta permanente e um caderno de cabedal que vai durar mais tempo que
os meus ossos.
Estou pronta.
O sexo é imperfeito,
privado e pessoal.
Liberta-te do peso das
desilusões.
Tristezas e felicidades.
Não percas tempo com o pó.