Memórias que me vêm
pensamentos desastrosos e eu apago-os e rio-me deles
mas também me azucrinam a
cabeça como veados na Eslovénia que me vinham ver e eu com medo deles não sabia
o que fazer se havia de lhes dar de comer ou fugir
acabei por ficar parada
- em caso de dúvida não
te mexas
come, caga, bebe, faz
xixi e dorme, mas não faças mais nada
não tomes decisões
importantes
Quando estiveres mais capacitada
das tuas funções racionais poderás tomar uma decisão ponderada porque quando
somos novos, tudo se atropela em momentos críticos e normalmente segue-se uma
avalanche.
Nunca estive enrolada em
nenhuma, mas imagino a situação
nos Alpes suíços, perdida
nas montanhas
de repente um estrondo,
olho para cima vejo o gelo a cair, a neve, as pedras, e eu no meio.
O medo deve ser aterrador.
Mas já houve momentos em
que senti isso essa impotência.
Uma vez a andar de
patins, estava uma pedra minúscula à minha frente não a vi bati com o patim caí
e embrulhei-me no chão.
Doeu-me.
Uma vez apaixonei-me e
também não pude fazer nada.
Doeu-me e ainda me dói.
Olhei para cima vi o
gelo, a neve, as pedras e eu no meio.
Não sabia era que ia
descer a montanha toda.
Foi isso que me aconteceu.
Se o gelo fosse o
coração, a neve as lágrimas, as pedras os silêncios e eu no meio
imaginem o sofrimento atroz
durante a queda que durou meses.
Silêncios pesados são os
piores.
Há pessoas que adoram
silêncio porque está tudo e nada.
É o que se quiser
cabem lá vidas vazias ou
cheias.
Se ficares em silêncio
por muito tempo é bom que saibas chorar ou as palavras que não dizes apodrecem.
Mais tarde ou mais cedo é
melhor que saiam
podem ser bonitas, feias,
gordas ou magras mas um dia vão ter que sair.
(Calem-me esses silêncios
que eu já não os posso ouvir
Irritam-me os teus silêncios
são ensurdecedores e eu aficionei-lhes um ódio de morte).