quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Fala

 

























Ser parede




Quando sou parede
gosto da vista

acalmo quando ninguém me vê
e vejo primeiro

nessas alturas sinto que estou maior
e aceno aos medos cá de dentro


quero-te tanto como não te quero




quando te vejo dá-me uma tristeza que não a suporto não te quero ver mas volta volta mas não venhas vai mas fica já foste mas estás ai






às vezes quero estar triste só porque sim
não há motivo nem deve haver
os motivos devem ficar fora dos sentimentos

deixemo-nos guiar uma vez nem que seja uma vez nos sentimentos


terça-feira, 24 de novembro de 2015

marcas na memória. .orgasmos da pele.

sai
som de metal
de dentro da carne
ricocheteado
nas palavras
dos tecidos rasgados
marcas na memória
.
.orgasmos da pele.





Achadas



carícias de cabelos aos metros
nos ventres
sedentos de bocas
com toques seguros
de certezas
sem desistências







Nua



Nua escorre silêncios no sangue
até ao lugar mais baixo
surreal o tempo pára
não se mexe.

Olha Pessoa com rastos de água
- Olá
 mas não sai palavra.

Pessoa agarra-lhe o braço
- Não vás. Por favor não vás
- Então bate-me
- Não posso
- Então deixa-me ir
- Não posso

Sente estalo na cara cabelos colados á face
-Afinal consegues

Ouve mão balançada noutra face
PAF

E murmurando gemidos,
Nua,
entra nos lábios,
na língua
e nos dentes
de Pessoa.





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quem és tu?



Quero fugir dos certos e dos errados
dos sãos e dos certinhos
ser louca mas não para ti.

Para ti quero que a loucura seja sã
que a insanidade esteja em ti
que não me mostres a escuridão
e me largues a mão Maldição



domingo, 5 de julho de 2015



Para o teu ser desabrochar sem misericórdia
abre uma janela
com ânsia frenética
e sai sem compaixão
por aqueles que te amam.



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um fim

silêncio não oportuno que se instala
entre bocas sem compaixão
em noites de fim de verão

cruel despedaçado
espalha-se o som do adeus guardado nas nuvens
e descruzam-se as almas nas folhas d'outono.













sábado, 13 de junho de 2015

Invisível



homem ou mulher?
perto ou longe?


já não interessa
focado ou desfocado
mostras-te e não te vejo


são os mamilos
é a porta de saída
foste usado ou
estás seguro


o preto e o branco
yin e  yang
as eternas voltas
renascimentos
do fundo à tona
só o mundo avança


tocas-te
sai cinto e calças
fica pele desnuda
como-te e arroto
tal tamanha a ternura



 





sábado, 23 de maio de 2015



Que se foda Deus
com todas as suas manias
que se foda os pais
que desistem dos filhos






sábado, 16 de maio de 2015

Estou fria



Estou sempre à espera do futuro.
Sinto-me mal.
Os meus dias não tem continuidade… nunca…
quero ser verdadeira… sempre
e nunca o sou.
Tenho frio.

Estou a olhar para o rio do miradouro
aquele de onde se vê melhor as igrejas… de cima… de onde se vê o Panteão

Não pertenço a este mundo mas não sei
sei que não pertenço a este mundo mas
queria queria queria queria queria queria queria queria queria queria
queria queria queria queria queria queria queria queria queria queria
queria queria queria queria queria queria queria queria queria queria

mas não fiz.

Queria morrer de amor.

As pessoas passam e não passam
igual sempre imóvel como pedra
só me ouço a afundar cada vez mais.
Já não sorrio mas dou gargalhadas.
Queria ser criança (como a Ivana uma vez disse).
Tenho muito frio.
Acomodas-te e ficas parada simplesmente à espera
sempre metem mais nojo do que qualquer outra coisa.
Ninguém te pode fazer nada, só tu.
Sai da frente seu maluco
Sai da frente seu maluco
É um espanto mas também é um filho da puta.
Não me diz nada.
Jorge anda cá
Se não estás bem ninguém te quer ao pé de ti.
Oiço os sinos.
Voltei ao mesmo.
O amor é lindo.
Pena é não saber o que é.
Sei por um momento, acho.
Ontem chegaste e
aquele espaço entre o meu olhar e o teu. Aquele momento foi…
Está frio.
Faço mal a escrever a lápis.
Menino com cara de Homem______________________________
Toda a gente tem um livro a dizer Lisboa
LISBOA
Queria amar sem consequências.
O tempo a passar…
Estou com frio.
Desapareço novamente. Fujo de mim.
Sempre.
Eu já vou Jorge… Eu já vou… Vou a caminho… Vou a caminho… Só mais uma volta. Ai Ai…
Queria chorar mas estou-me a rir. Vou descendo aos poucos pouquinhos.
Não sou o que as pessoas queriam.

Queria a casa que está por cima da Pastelaria Varanda de Alfama Lda. Fabrico Diário
Pensas muito mas não me enganas

Vou viajar mais
Deixa-me rir

Escreves para quem? Escrevo para um dia saber o que pensava.
Mas tu não pensas.
Então é um desabafo, é o não ter mais nada para fazer e ser.
Encontrei-o à pouco
dei-lhe um abraço que o choro saiu sem querer.
És um racional.
São seres pensantes
e eu sou não pensante.
Nada disto existe.
Anda para casa Jorge
A lua vai inchar e explodir.
Não acredito em mim.
O amor é lindo.
Está enorme.
Gigante.
Quem me dera que alguém me amasse
Se calhar até há, mas eu não amo esse alguém

Sou triste e tenho pena.
Quero fumar um charro.
Estou um traste.

2001

terça-feira, 28 de abril de 2015

Na nuca



Sai uma lágrima por cada olho
deixando um rasto frio e molhado

oiço-as
e vou-me calando

pois encontraram-se
onde mora o teu beijo.







sábado, 25 de abril de 2015

Leio um livro sobre mim



O escritor não sabe
Mas escreveu sobre mim
Antes de me conhecer

Ponho-o de parte
Já sei como acaba.

Decidi hoje não ler mais

terça-feira, 14 de abril de 2015

Hoje fui buscar pão à padaria



subo as escadas duma rua
uma senhora diz
passe passe
passei contrariada

diz à filha:
deixa passar a menina que está com pressa
não não
eu não tenho pressa
eu tenho tempo

continuámos as 3 próximas ao mesmo ritmo

a filha virou à direita
(foi para o trabalho)

e nós para a esquerda
meteu conversa comigo
(não queria ir sozinha)

contou-me a vida dela
a dos pais
a dos irmãos
a dos filhos
a do marido
até eu perceber que ela conhecia a minha avó

disse-lhe quem eu era

quando se despede diz-me:
Só podes ser uma pessoa boa
porque a tua avó era uma pessoa extraordinária.

As lágrimas correram

Tenho a sensação que conheço o mundo inteiro
(tal como a minha avó)
há qualquer coisa que nos liga
uns aos outros
basta procurar um pouco
logo elas vem ao de cima.

quinta-feira, 9 de abril de 2015



Uma luz doce e meiga
emana da tua pele
branca e nua.
Lambo-a, e pedes que a trinque.
Sem aviso um fumo pesado rodeia-te
e deixo de te ver.
Serás sombra de fantasma ou de anjo?
Na minha fantasia tenho sono
e adormeço,
por fim,
com os teus cabelos nos meus.




domingo, 5 de abril de 2015

Quem sou eu em 30 segundos



pássaro esvoaçante
com asas de crocodilo
morde como uma galinha
com voos espampanantes
viaja pelo mundo em busca de fortunas

há-de ficar rico com a loucura que o consome

dança livremente
sem repetir o que foi
é espuma de restos do mar
a rebolar na areia
gaivotas  a uivar
dança cósmica entre amigos

está nas montanhas
fecha os olhos e está lá
ouve as gaivotas
as mesma que ouvia lá
onde quer que vá
as gaivotas lembram-no quem é

Vem voar connosco dizem elas

não posso ir

se eu for não volto

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Amar



Às vezes dá-me uma vontade de escrever
de sofrer de amores desmesurados

o amor é isto
esta irrequietação
um desejo de escrever urgentemente que amo

neste momento amo mais do que há bocado quando não pensava nisso
são pensamentos momentâneos
mas são nestes momentos de pura felicidade que mais sinto amor

quanto mais digo que amo
mais amo
convenço-me disso

a beleza do mundo
a musica, os trompetes
as gaivotas a voar por cima de mim
o silencio de um vento inexistente
o cheiro de uma chuva promissora que se arrasta em chegar

nestes momentos sou deus
nem vou por menos

capaz de tudo
o maior amor de todos

amo todas as criaturas
tudo em mim é perdão

o arrasamento da humanidade contida no prender do meu âmago

porque se solto!
porque se solto!
o que acontece?

posso espreitar
mas não posso ficar muito tempo
neste estado límbico
agora sou amor
aqui só
mas só aqui sentada a escrever
enquanto penso que amo

de repente não preciso de ninguém
e sou livre
de repente sou deus
e não preciso de ninguém
sou feliz sozinha
que bom é ser livre
feliz e deus

que poder ilimitado
que loucura insana
não carrego fardos
leve como pena
ver mais do que via
voo sem cansaço
quando me canso

paro

segunda-feira, 2 de março de 2015

Conformar-me


aninhar-me
ás incompreensíveis incertezas da vida
que me esmagam por dentro
abrindo ar entre as dúvidas