sexta-feira, 6 de maio de 2016

A queda de um anjo


Memórias que me vêm pensamentos desastrosos e eu apago-os e rio-me deles
mas também me azucrinam a cabeça como veados na Eslovénia que me vinham ver e eu com medo deles não sabia o que fazer se havia de lhes dar de comer ou fugir
acabei por ficar parada
- em caso de dúvida não te mexas
come, caga, bebe, faz xixi e dorme, mas não faças mais nada
não tomes decisões importantes
Quando estiveres mais capacitada das tuas funções racionais poderás tomar uma decisão ponderada porque quando somos novos, tudo se atropela em momentos críticos e normalmente segue-se uma avalanche.
Nunca estive enrolada em nenhuma, mas imagino a situação
nos Alpes suíços, perdida nas montanhas
de repente um estrondo, olho para cima vejo o gelo a cair, a neve, as pedras, e eu no meio.
O medo deve ser aterrador.
Mas já houve momentos em que senti isso essa impotência.
Uma vez a andar de patins, estava uma pedra minúscula à minha frente não a vi bati com o patim caí e embrulhei-me no chão.
Doeu-me.
Uma vez apaixonei-me e também não pude fazer nada.
Doeu-me e ainda me dói.
Olhei para cima vi o gelo, a neve, as pedras e eu no meio.
Não sabia era que ia descer a montanha toda.
Foi isso que me aconteceu.
Se o gelo fosse o coração, a neve as lágrimas, as pedras os silêncios e eu no meio
imaginem o sofrimento atroz durante a queda que durou meses.

Silêncios pesados são os piores.
Há pessoas que adoram silêncio porque está tudo e nada.
É o que se quiser
cabem lá vidas vazias ou cheias.

Se ficares em silêncio por muito tempo é bom que saibas chorar ou as palavras que não dizes apodrecem.
Mais tarde ou mais cedo é melhor que saiam
podem ser bonitas, feias, gordas ou magras mas um dia vão ter que sair.

(Calem-me esses silêncios que eu já não os posso ouvir
Irritam-me os teus silêncios são ensurdecedores e eu aficionei-lhes um ódio de morte).


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